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PM israelita alega problemas médicos para faltar a audiência em tribunal
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, alegou hoje problemas médicos significativos para faltar a uma audiência do seu julgamento, por acusações de corrupção, fraude e abuso de poder, num tribunal de Telavive.
Netanyahu, que compareceu na primeira audiência judicial após o adiamento da sua cirurgia à próstata, em dezembro, disse que estava a enfrentar vários "desafios médicos" e estava a submeter-se a um tratamento "forte" que envolvia a toma de "doses elevadas de antibióticos".
Na semana passada, Netanyahu não esteve presente no tribunal porque estava de visita oficial aos Estados Unidos, onde se encontrou com o Presidente norte-americano, Donald Trump, a quem agradeceu por ter apresentado um plano para deslocar os palestinianos da Faixa de Gaza e assumir o controlo do enclave.
O primeiro-ministro israelita também não compareceu a outras audiências, já que em três ocasiões estas foram suspensas porque um dos juízes responsáveis pelo caso estava doente, de acordo com as informações recolhidas pelo jornal The Times of Israel.
Netanyahu descreveu a sua visita aos Estados Unidos como "histórica", mas realçou que foi "desafiante" fisicamente, uma vez que foi submetido a uma operação há pouco mais de um mês e, deste então, sofreu complicações.
Nesse sentido, afirmou que precisará de "pausas" a medida em que é ouvido no tribunal.
O primeiro-ministro israelita, que classificou as acusações contra si como "ridículas", é acusado de três crimes, incluindo fraude e suborno, embora tenha alegado que tudo faz parte de perseguição política. Entretanto, conseguiu regressar ao poder para um sexto mandato com os processos já abertos, no final de 2022.
As acusações contra Netanyahu incluem o uso indevido do seu poder para pressionar os meios de comunicação sociais a divulgar informações favoráveis ao Governo israelita.
Um dos casos remonta a 2000, quando terá tentado chegar a um acordo com o jornal Yedioth Aharonot para este falar positivamente sobre a sua administração em troca da aprovação de legislação que prejudicaria o seu principal concorrente, o jornal Israel Hayom.
"Inferno"? Hamas diz que ameaças de Trump apenas complicam a situação
As declarações do Presidente norte-americano, Donald Trump, a ameaçar Gaza com o "inferno" se os reféns não forem libertados até sábado são "inúteis e só complicam a situação", disse hoje um dirigente do Hamas.
"Trump deve lembrar-se que há um acordo [de tréguas] que deve ser respeitado por ambos os lados [Israel e Hamas] e que esta é a única forma de trazer os prisioneiros de volta. A linguagem das ameaças não vale nada e só complica as coisas", disse Sami Abou Zouhri, um líder do movimento islamista palestiniano.
Uma frágil trégua negociada pelo Qatar com a ajuda dos Estados Unidos e do Egito entrou em vigor a 19 de janeiro entre Israel e o Hamas, após mais de 15 meses de guerra que devastou a Faixa de Gaza.
O cessar-fogo resultou até ao momento na libertação de 16 reféns israelitas, sequestrados a 07 de outubro de 2023 durante o ataque do Hamas que desencadeou as hostilidades - em troca de cerca de 700 palestinianos detidos por Israel.
Cinco reféns tailandeses também foram libertados.
Espera-se que um total de 33 reféns israelitas sejam libertados durante a primeira fase da trégua, que termina a 01 de março.
No entanto, o Hamas anunciou na segunda-feira que ia adiar indefinidamente a próxima troca prevista para sábado, acusando Israel de múltiplas violações da trégua.
Israel classificou a decisão do Hamas como uma "violação total" do acordo e ordenou que o seu exército estivesse pronto "para todos os cenários".
O Hamas garantiu então que a porta permanecia "aberta" para a libertação de reféns israelitas em troca de prisioneiros palestinianos "o que ocorrerá como planeado" no sábado, "assim que [Israel] tiver cumprido as suas obrigações".
"No que me diz respeito, se todos os reféns não estiverem de volta até ao meio-dia de sábado --- penso que é uma data razoável ---, eu diria: 'Cancelem e o caos instalar-se-á'", disse Donald Trump na segunda-feira.
Kibbutz comunicou que refém israelita de 86 anos morreu em cativeiro
O kibbutz de Kissoufin, no sul de Israel, comunicou hoje que um israelita de 86 anos, raptado pelo Hamas no dia 07 de outubro de 2023 morreu em cativeiro na Faixa de Gaza.
O octogenário vivia no kibbtuz (comunidades agrícolas israelitas de inspiração marxista) de Kissoufin.
"É com o coração pesado que nós, membros do kibbutz, recebemos esta manhã a notícia do assassinato do nosso querido amigo Shlomo Mansour, de 86 anos, no kibbutz Kissoufim durante o ataque terrorista do Hamas de 07 de outubro de 2023", indica um comunicado.
O anúncio do kibbutz Kissoufim ocorre um dia depois de o Hamas ter ameaçado adiar a próxima libertação de reféns, acusando Israel de violar o acordo de tréguas.
A posição do Hamas levou o governo de Benjamin Netanyahu a ordenar ao Exército que se prepare para "todos os cenários".
A próxima libertação de reféns israelitas em troca de prisioneiros palestinianos está prevista para sábado, 15 de fevereiro, no âmbito do acordo de tréguas que entrou em vigor a 19 de janeiro, após 15 meses de guerra.
O Presidente dos Estados Unidos, aliado de Israel, Donald Trump prometeu "o inferno", na segunda-feira, se o Hamas não libertar todos os reféns israelitas até sábado, depois de o movimento palestiniano ter ameaçado adiar a próxima libertação.
Sami Abou Zouhri, líder do Hamas disse hoje à France Presse que as declarações do Presidente Donald Trump são "inúteis e só complicam as coisas".
Os reféns foram raptados num ataque contra Israel, a 07 de outubro de 2023, por comandos do Hamas.
O ataque do Hamas de 07 de outubro fez 1.210 mortos do lado israelita, a maioria civis, segundo uma contagem da France Presse baseada em dados oficiais israelitas.
No total, 251 pessoas foram raptadas no dia do ataque sendo que 73 reféns continuam detidos em Gaza, dos quais pelo menos 34 morreram, segundo o Exército israelita.
A ofensiva em grande escala levada a cabo por Israel como represália causou pelo menos 48.208 mortos, na maioria civis, em Gaza e provocou uma catástrofe humanitária no território sitiado, segundo dados do Ministério da Saúde do Hamas, considerados fiáveis pelas Nações Unidas.
Fim de cessar-fogo? Israel faz ultimato (Portugal pede "canais abertos")
O grupo islamita Hamas e Israel parecem estar num impasse em relação ao cessar-fogo. Sem negociações para a segunda fase do acordo iniciadas e com acusações e ameaças trocadas nas últimas horas, já há algumas detenções na Cisjordânia.
A semana já prometia ser decisiva quando, um dia após a libertação de reféns, o Hamas ameaçou que o cessar-fogo podia estar "em risco de colapsar". A troca de farpas começou no sábado, quando Telavive ficou "em choque" com o estado em que três reféns foram libertados. Com um aspeto subnutrido, três reféns - dois dos quais com ligação a Portugal - foram libertados. Israel prometeu não deixar de dar uma resposta, perante a situação.
No domingo, o grupo islamita acusou Israel de "procrastinação" em relação ao início das negociações para a segunda fase do acordo entre os dois lados, que já devia ter começado. A 'resposta' de Israel começou surgir ontem, quando o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu garantiu: "Se o Hamas não libertar reféns até ao meio-dia de sábado, o cessar-fogo terminará."
Na segunda-feira, a ala armada do movimento islamita palestiniano Hamas anunciou que iria adiar a libertação de reféns israelitas prevista para sábado, "até nova ordem".
A declaração foi feita depois de uma reunião de mais de quatro horas com o gabinete de segurança, e a decisão foi aprovada "por unanimidade". Caso o grupo islamita não liberte os reféns, Netanyahu garantiu que as Forças de Defesa de Israel voltaram a "combater até que o Hamas seja finalmente derrotado". Já hoje, a imprensa internacional dá conta de que estão a acontecer detenções na Cisjordânia. Já ontem, a presença das mesmas forças tinha sido reforçada na Faixa de Gaza, segundo o próprio anunciou.
"Todos expressamos indignação com a situação chocante dos nossos três reféns que foram libertados no último sábado", reforçou Netanyahu, acrescentando que "todos" acolheram a "demanda do presidente Trump para a libertação dos reféns israelitas até ao meio dia de sábado".
O que diz o Hamas?
O Hamas não demorou muito tempo a responder, e, citado pela agência espanhola Efe, um porta-voz apontou que "Netanyahu devia cumprir o acordo palavra por palavra". "Isto garantirá que tudo avance suavemente e sem atrasos, e levará à libertação de prisioneiros de ambos os lados", acrescentou.
O porta-voz, Mahmud Mardawi, apontou que o que estava acordado em termos de ajuda humanitária escasseava, já que apenas 8.500 dos 12.000 camiões planeados entraram em Gaza, e também o combustível disponibilizado - necessário ao funcionamento de infraestruturas essenciais - não estava a ser o combinado. Segundo o porta-voz, penas entraram no enclave 15 camiões de combustível por dia, em vez de 50.
Denunciou ainda que nenhuma unidade de habitação móvel chegou a Gaza, quando eram esperadas 60 mil, e que apenas 20 mil tendas entraram no enclave, apesar do acordo de 200 mil para a Faixa de Gaza, onde mais de 70% das estruturas foram danificadas ou destruídas, segundo a ONU.
Depois de anunciar o possível atraso da troca de reféns no sábado, o Hamas disse logo a seguir que "a porta permaneceria aberta" desde que Israel cumprisse os prazos e requisitos acordados.
Note-se ainda que esta é uma altura em Israel conta com o aparente apoio ilimitado dos Estados Unidos, já que o presidente, Donald Trump, se reuniu com Netanyahu na semana passada e apresentou um plano para Gaza, declarando que os Estados Unidos iam "apoderar-se" da Faixa de Gaza e "livrar-se dos edifícios destruídos", com o objetivo de desenvolver economicamente o território, afirmações que foram amplamente condenadas em todo o mundo.
Trump defendeu que os palestinianos iriam para um sítio "melhor" e já ontem apontou que estes não teriam direito ao retorno. "Terão alojamentos melhores", apontou, depois de ter vindo a defender que queria construir "um grande terreno imobiliário".
O que diz a comunidade internacional?
O receio de elevar a tensão já fez a comunidade internacional manifestar-se, com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) a contactar o primeiro-ministro do Qatar, Mohammed Al Thani, para tentar salvar o cessar-fogo em Gaza, após Israel ameaçar retomar "combates intensos".
O secretário-geral da ONU esteve em contacto com o primeiro-ministro do Qatar, Mohammed Al Thani, para tentar salvar o cessar-fogo em Gaza, confirmou esta terça-feira um dos porta-vozes de António Guterres após Israel ameaçar retomar "combates intensos".
O porta-voz adjunto de Guterres, Farhan Haq, observou que o secretário-geral está a tentar dar "todo o apoio diplomático" à situação, considerando "o acordo de cessar-fogo essencial", uma vez que levou "tanto alívio a uma população que sofreu tanto, especialmente em Gaza".
Também cerca de trinta relatores e especialistas em direitos humanos da ONU rejeitaram na terça-feira, numa declaração conjunta, a ideia de os EUA assumirem o controlo de Gaza, alertando que "significaria um regresso aos anos sombrios da conquista colonial".
Cerca de trinta relatores e especialistas em direitos humanos da ONU rejeitaram esta terça-feira, numa declaração conjunta, a ideia de os EUA assumirem o controlo de Gaza, alertando que "significaria um regresso aos anos sombrios da conquista colonial".
Em Portugal, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, mostrou-se confiante de que será possível manter o cessar-fogo em vigor, defendendo que "o Hamas não pode ser parte da solução" na Faixa de Gaza.
"Por um lado, é evidente que para Israel e para o bem de Israel é muito importante manter o curso da libertação de reféns", disse o ministro, numa entrevista à SIC, acrescentando: "Depois, sinceramente, não vejo que o Hamas tenha interesse em reabrir a violência", apontou.
Interrogado sobre os planos de Donald Trump para que os Estados Unidos assumam o controlo de Gaza e desloquem permanentemente os seus habitantes, o governante português não tomou uma posição e voltou a reforçar a importância de ter "cabeça fria" para manter "os canais abertos".
O ministro dos Negócios Estrangeiros disse não ter "dúvidas" de que a Autoridade Palestiniana está a preparar-se para assumir o controlo da Faixa de Gaza no futuro, mas vai precisar de "ajuda" para ter a "capacidade institucional", sobretudo "no plano da segurança", onde necessitará de "ajuda externa".
"Mas há uma coisa que é evidente: o Hamas não pode ser parte da solução. Isto é uma posição clara do Governo português. O Hamas é uma organização terrorista capaz de coisas terríveis", frisou Paulo Rangel.
Egito defende recuperação de Gaza e a manutenção dos habitantes
O Egito anunciou hoje que tem um plano sobre o futuro de Gaza que garante a reconstrução do enclave sem a deslocação da população contrariando a exigência do Presidente norte-americano de expulsar os habitantes do enclave para outros países.
A Faixa de Gaza, marcada pela guerra entre o Hamas e Israel desde outubro de 2023, é habitada por cerca de dois milhões de pessoas.
"O Egito afirma a intenção de apresentar uma visão abrangente para a reconstrução da Faixa de Gaza, de uma forma que garanta a sobrevivência do povo palestiniano na terra a que pertencem e em sintonia com os direitos legítimos e legais deste povo", disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros egípcio num comunicado citado pela agência de notícias espanhola EFE.
Com esta nota, o Cairo confirma o anúncio feito na terça-feira pelo rei jordano Abdullah II em Washington durante um encontro com o Presidente dos Estados Unidos.
Donald Trump insiste em que os Estados Unidos tomem conta e reconstruam Gaza "como um projeto imobiliário" e defende a expulsão dos habitantes para o Egito e para a Jordânia, provocando protestos nos países árabes.
Para os Estados da região, a solução apresentada por Trump significa o fim da causa palestiniana e pode perturbar a segurança e a paz no Médio Oriente.
A limpeza étnica, entendida como a expulsão forçada de um grupo étnico de um território, constitui um crime contra a humanidade e pode ser considerada um crime de genocídio, de acordo com as Nações Unidas.
A Liga Árabe, composta por 22 Estados, rejeitou categoricamente o plano de Trump, insistindo na necessidade de implementar a solução "dois Estados", que estipula a criação de um Estado palestiniano ao lado do Estado israelita em Gaza e na Cisjordânia ocupada.
"O Egito aspira a cooperar com a administração do Presidente Trump para alcançar uma paz abrangente através de uma solução justa para a causa palestiniana que respeite os direitos dos povos da região", refere o comunicado egípcio.
O Cairo, o primeiro país árabe a assinar a paz com Israel em 1979, seguido pela Jordânia (1994), insistiu na importância de se "evitarem riscos".
"O Egito sublinha que qualquer visão para resolver a causa palestiniana deve evitar pôr em risco as conquistas da paz e deve abordar as raízes e as razões do conflito, pondo fim à ocupação israelita dos territórios palestinianos e implementando a solução 'dois Estados' como a única via para a estabilidade e a coexistência entre os povos da região", sublinha a diplomacia egípcia.
O governo do Cairo, que procura uma posição árabe unificada em relação ao plano de Donald Trump, convocou uma cimeira extraordinária dos membros da Liga Árabe para o dia 27 de fevereiro e, na terça-feira, anunciou que vai acolher uma reunião ministerial dos 57 países da Organização de Cooperação Islâmica (OCI) com o mesmo objetivo.
Netanyahu convoca chefias militares após Hamas concordar em manter trégua
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, convocou hoje os principais comandantes militares do país após o Hamas ter concordado em manter o acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, indicou fonte do seu gabinete.
"[Netanyahu] está a realizar uma avaliação de segurança no Comando Sul do exército" em Beersheba, no sul de Israel, acrescentou o gabinete do primeiro-ministro israelita numa breve declaração.
Na reunião estão presentes o ministro da Defesa, Israel Katz, o chefe do exército cessante, Herzi Halevi e o seu substituto, Eyal Zamir e o chefe da agência de informação interna de Israel (Shin Bet), Ronen Bar, entre outros altos funcionários.
A reunião realiza-se depois de o Hamas ter afirmado que está disposto a continuar a cumprir o acordo de cessar-fogo em Gaza "em conformidade com o que foi assinado", incluindo a troca de reféns israelitas por prisioneiros palestinianos, prevista para sábado.
Até ao momento, o Governo israelita ainda não reagiu publicamente a este anúncio.
Desconhecem-se, para já, os resultados da reunião.
Na quarta-feira, Israel Katz ameaçou uma nova guerra em Gaza para implementar os planos do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de expulsar os habitantes de Gaza para outros países se o Hamas não libertar os reféns.
O grupo islamita anunciou na segunda-feira que iria suspender a sexta libertação do cessar-fogo, prevista para sábado, até nova ordem, devido às "violações" israelitas do acordo, incluindo o bloqueio da entrada de ajuda humanitária e a continuação da morte de habitantes de Gaza pelo exército.
Huthis ameaçam atacar se habitantes de Gaza forem deslocados
O líder dos rebeldes huthis do Iémen ameaçou hoje retomar os ataques contra Israel e a navegação no Mar Vermelho se os palestinianos em Gaza forem "deslocados à força".
"Interviremos com ataques de mísseis e drones e ataques marítimos se a América e Israel levarem a cabo o seu plano de deslocação forçada" dos habitantes de Gaza, afirmou Abdel Malek al-Houthi num discurso transmitido pela televisão.
O presidente norte-americano, Donald Trump defendeu um plano para reconstruir a Faixa de Gaza, devastada por 15 meses de bombardeamentos israelitas, que implicava a retirada dos 2,4 milhões de habitantes para outros países, sem possibilidade de regresso.
O plano foi criticado pela generalidade da comunidade internacional, até por poder configurar um crime contra a humanidade, mas mereceu o apoio do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
"Apelo às forças armadas para que estejam prontas a intervir militarmente caso o criminoso [Donald] Trump leve a cabo as suas ameaças", acrescentou o líder rebelde.
Trata-se do segundo discurso de Abdel Mal al-Houthi sobre Gaza em três dias.
Na terça-feira, ameaçou retomar os ataques contra Israel em caso de novas hostilidades na Faixa de Gaza.
"Estamos prontos a intervir militarmente a qualquer momento em caso de escalada contra Gaza", declarou então, num discurso transmitido pelo canal de televisão Al-Massirah do grupo.
Trump tinha ameaçado na segunda-feira o Hamas com "um verdadeiro inferno" em Gaza se não libertasse até sábado os reféns israelitas, conforme previsto no acordo de cessar-fogo.
O governo israelita afirmou hoje que o acordo será mantido se o Hamas libertar três reféns vivos no sábado, como planeado, enquanto o movimento islamita disse que estava pronto para respeitar o calendário negociado.
Alegando solidariedade com os palestinianos, os huthis dispararam inúmeros mísseis e drones contra Israel desde o ataque sem precedentes do Hamas a Israel, em 07 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza.
Um desses ataques matou um israelita e Israel lançou ataques de retaliação contra instalações portuárias e alvos militares dos houthis.
Desde a entrada em vigor das tréguas em Gaza, em 19 de janeiro, os rebeldes puseram termo aos ataques, bem como aos que visavam navios mercantes acusados de ligações com Israel.
Em 22 de janeiro, libertaram 25 tripulantes do navio "Galaxy Leader", capturado há mais de um ano.
A decisão de os libertar foi tomada "em apoio ao acordo de cessar-fogo" em Gaza, segundo anunciou na altura a agência de notícias Saba, controlada pelos rebeldes.
Os huthis integram o "eixo de resistência" liderado pelo Irão contra Israel, de que fazem parte outros grupos extremistas da região, como o Hezbollah libanês, o Hamas e a Jihad Islâmica palestiniana.
Os rebeldes próximos do Irão controlam parte do Iémen, um país do sudoeste da Península da Arábia devastado por uma guerra civil iniciada em 2014.
Esquizofrénico e vários jovens. Os próximos reféns libertados pelo Hamas
O Hamas vai libertar mais seis reféns israelitas no próximo sábado. Na lista estão três jovens, dois homens que estão detidos na Faixa de Gaza há uma década e um pai. Conheça-os.
Israel confirmou na terça-feira que o Hamas vai libertar, no sábado, os últimos seis reféns vivos no âmbito da primeira fase do acordo de cessar-fogo, depois de o grupo ter anunciado que iria acelerar as libertações.
O grupo de seis reféns incluiu Avera Mengistu e Hisham al-Sayed, dois homens que estão detidos pelo Hamas desde 2014 e 2015, respetivamente, altura em que entraram na Faixa de Gaza por conta própria.
Os outros quatro reféns foram todos apanhados a 7 de outubro de 2023: o pai Tal Shoham e três jovens raptados num festival de música, Omer Shem-Tov, Omer Wenkert e Eliya Cohen.
As famílias de todos estes seis reféns vivos confirmaram que os homens estão na lista de prisioneiros programados para serem libertados no próximo fim de semana.
"Vejo o nome do Omer na televisão e não acredito. Agora posso dizer que podemos respirar e estou apenas à espera de abraçar o meu Omer", confessou Shelly, mãe de Omer Shem-Tov, ao canal de televisão norte-americano Channel 12 News.
Além destes seis reféns vivos, o Hamas deverá libertar, nas próximas duas semanas, os corpos de oito reféns mortos.
Avera Mengistu, 37 anos
É um dos dois homens que está detido na Faixa de Gaza há uma década. No sábado, quando for libertado, terá passado 3.821 dias em cativeiro.
Segundo a família e as autoridades israelitas, Mengistu entrou no norte de Gaza a partir da praia de Zikim, em setembro de 2014.
O homem, na altura com 28 anos, foi visto pelas câmaras de videovigilância das Forças de Defesa de Israel (IDF), mas conseguiu atravessar a vedação antes de os militares chegarem ao local. Acabou por ser apanhado por uma patrulha do Hamas e não se voltou a ouvir falar mais dele até o grupo divulgar, no início de 2023, um vídeo em que apareceu vivo.
Hisham al-Sayed, 37 anos
É o segundo dos dois homens que está preso, há uma década, em Gaza. Este israelita também tinha 28 anos quando entrou no território palestiniano perto do cruzamento de Erez, em abril de 2015.
O pai entretanto revelou que não foi a primeira vez que Hisham al-Sayed entrou na Faixa de Gaza, mas dessa vez foi apanhado pelo Hamas e ficou nas mãos do grupo.
No sábado, quando for libertado, terá passado quase 3.600 dias nas mãos do Hamas.
Antes de entrar em Gaza já tinha sido diagnosticado com doenças mentais.
"Foi diagnosticado com esquizofrenia e um distúrbio de personalidade, entre outras condições, e foi repetidamente internado", explicou a Human Rights Watch.
Desde que entrou na Faixa de Gaza, só se ouviu falar do israelita em 2022, quando o Hamas divulgou um vídeo em que apareceu cansado, deitado numa cama e ligado a uma botija de oxigénio.
Tal Shoham, 39 anos
Este cidadão israelo-austríaco, da cidade de Maale Tzviya, no norte de Israel, foi feito refém pelo Hamas a 7 de outubro, quando visitava a família da mulher.
A mulher Adi Shoham, a filha Yahel, de três anos, e o filho Naveh, de oito, bem como a sogra Shoshan Haran e a tia da mulher Sharon Avigdori também foram feitas reféns, mas acabaram por ser libertadas a 25 de novembro de 2023.
O sogro, Avshalom Haran, foi morto durante o ataque, bem como os tios da mulher, Eviatar e Lilach Kipnis.
Pouco se sabe sobre o estado de saúde do refém.
Eliya Cohen, 27 anos
A mãe, Sigi Cohen, contou ao Times of Israel que o jovem estava num festival de música com a noiva quando o Hamas atacou.
Ainda tentaram fugir, mas foram perseguidos e alvejados. Chegaram a esconder-se entre cadáveres num abrigo anti-bomba mas a noiva, que escapou, contou à mãe de Cohen que o viu ser puxado, colocado numa carrinha e ser levado.
Descobriu-se, mais tarde, que o jovem foi levado no mesmo carro que os reféns Hersh Goldberg-Polin, Or Levy e Alon Ohel, que também foram raptados nesse dia.
No início deste mês, a família revelou que falou com alguns reféns recentemente libertados, que disseram que Cohen esteve acorrentado durante todo o tempo de cativeiro e tem acesso a muito pouca comida e luz do dia.
A ferida de bala, com que foi atingido na perna no dia do rapto, também ainda não foi devidamente tratada.
Omer Wenkert, 23 anos
Omer Wenkert também foi raptado no festival de música. Nessa manhã, às 7h50, falou com os pais e disse-lhes que estava "morto de medo".
Mais tarde, o Hamas enviou-lhes um vídeo de Omer amarrado a uma carrinha branca, em roupa interior, confirmando que tinha sido feito refém na Faixa de Gaza.
De acordo com os pais, Wenkert sofre de colite, uma inflamação no intestino grosso, e pode ter ataques "muito dramáticos".
Pelos amigos é descrito como "vibrante" e "sociável". Trabalhava como gerente num restaurante e queria tornar-se crítico gastronómico.
Omer Shem-Tov, 22 anos
Falou pela última vez com os pais por volta das 10h00 de 7 de outubro, parecendo estar em pânico com as informações que circulavam, dando conta de mortes e raptos do Hamas na zona.
Depois de entrar no carro de um amigo, partilhou com a família a localização em tempo real. Os pais repararam que o carro seguia em direção a Gaza e, pouco depois, perderam o rasto do filho.
Mais tarde viram um vídeo do Hamas, que tinha sido publicado no Telegram, e mostrava Omer Shem-Tov e o amigo deitados no chão, na Faixa de Gaza.
Também pouco se sabe sobre o estado de saúde do programador informático.
O grupo islâmico Hamas considerou hoje que as repetidas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de um retorno à guerra em Gaza "são um apoio a Netanyahu para que viole o acordo de cessar-fogo".
Num comunicado enviado à agência noticiosa espanhola EFE, o movimento islamita palestiniano apontou que a melhor maneira de libertar os reféns israelitas é iniciar as negociações para a segunda fase de tréguas.
Na nota de imprensa, assinada pelo porta-voz do Hamas, Abdel Latif Al-Qanoua, é dito que as ameaças de Donald Trump servem para forçar o primeiro-ministro israelita a apertar "o cerco e a fome" contra o povo palestino em Gaza.
"A melhor maneira de libertar os prisioneiros israelitas restantes é que a ocupação [referindo-se a Israel] inicie negociações para a segunda fase e seja responsabilizada pelo acordo assinado sob a mediação de intermediários", lê-se no comunicado.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez, na quarta-feira, um "último aviso" ao Hamas para libertar os reféns que mantém em Gaza, ameaçando o movimento islamita palestiniano que caso contrário deixará Israel "terminar o trabalho" no enclave.
As ameaças de Trump foram feitas poucas horas depois de a Casa Branca confirmar que os Estados Unidos mantiveram contactos diretos com o Hamas, que Washington cataloga como organização terrorista, indicando que as autoridades israelitas foram consultadas sobre estas conversações relacionadas com a próxima fase do cessar-fogo na Faixa de Gaza.
Numa mensagem nas redes sociais Truth, Trump ordenou ao Hamas para que devolva imediatamente os reféns e os corpos que está a reter, frisando que este era o "aviso final".
"Vou enviar a Israel tudo o que eles precisam para terminar o trabalho, nenhum membro do Hamas estará a salvo se não fizerem o que eu digo", ameaçou.
"Quanto aos líderes do Hamas, agora é o momento de deixarem Gaza, enquanto ainda podem", adiantou.
Estendeu as ameaças ao próprio "povo de Gaza": "Se esconderem reféns, estão mortos".
"Tomem uma decisão inteligente. Libertem os reféns agora, ou haverá um inferno para pagar mais tarde", publicou Trump.
O diálogo direto de Washington com o Hamas, revelado pelo 'site' Axios, foi confirmado pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, que justificou esta abordagem com o Hamas com a tentativa de por fim à guerra na Faixa de Gaza.
O Hamas já confirmou estes contactos e Israel também corroborou as consultas de Washington a este respeito.
As negociações centraram-se na libertação de reféns norte-americanos em posse do Hamas, embora também tenha sido discutido um acordo mais amplo para libertar todos aqueles que ainda estão detidos na Faixa de Gaza e um entendimento para pôr fim à guerra, de acordo com as fontes citadas pelo Axios.
A confirmação surge depois de o grupo palestiniano ter rejeitado no sábado a proposta dos Estados Unidos, um dos três países mediadores nas negociações, de prolongar a primeira fase do acordo até ao final do Ramadão em troca da libertação dos restantes reféns.
Israel confirmou igualmente que ter recebido informações do diálogo de Washington com o Hamas.
Israel ataca instalações militares no sul da Síria
O exército israelita declarou que realizou ataques aéreos contra instalações militares localizadas no sul da Síria, entre a noite de segunda-feira e hoje, para eliminar ameaças futuras.
"Durante a noite, caças da Força Aérea israelita atingiram radares e dispositivos de deteção (...) no sul da Síria", disse o exército israelita, em comunicado.
"As posições de comando e os locais onde armas e equipamento militar pertencentes ao regime sírio estavam localizados no sul da Síria também foram atingidos", referiu.
"Estes alvos foram atingidos para eliminar ameaças futuras", concluiu, na mesma nota.
Os meios de comunicação social estatais sírios noticiaram vários ataques israelitas na província de Deraa na noite de segunda-feira.
Já a organização não-governamental (ONG) Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) registou 17 ataques que visaram posições militares do antigo exército do presidente sírio Bashar al-Assad, incluindo plataformas de observação e tanques.
Assim que Al-Assad foi deposto, em 08 de dezembro, Israel enviou tropas para uma zona tampão desmilitarizada nos montes Golã, no sudoeste da Síria, na orla da parte do planalto ocupada por Israel desde a guerra de 1967 e anexada em 1981.
Israel tem realizado centenas de ataques contra instalações militares do antigo regime na Síria, alegando que quer evitar que o arsenal caia nas mãos das novas autoridades.
Em 23 de fevereiro, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, exigiu "a desmilitarização total do sul da Síria", a parte vizinha de Israel, sublinhando que o país não ia tolerar que as forças do novo Governo sírio se deslocassem para o sul de Damasco.
Recentemente, o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, considerou que a Síria é agora governado por extremistas islâmicos.
Durante a guerra civil síria, que começou em 2011, Israel realizou centenas de ataques contra posições do exército sírio e aliados, incluindo o movimento xiita libanês Hezbollah e o Irão.
Em 08 de dezembro, um grupo de combatentes rebeldes, liderados pela Organização para a Libertação do Levante (Hayat Tahrir al-Sham, HTS) depôs Bashar al-Assad, que fugiu para a Rússia.
Após 14 anos de guerra civil, a Síria tem agora um Governo de transição dirigido pelo líder do HTS, Ahmed al-Charaa.
Hamas só liberta americano-israelita se acordo de tréguas for aplicado
O Hamas avisou hoje que só libertará um americano-israelita e os corpos de quatro outros reféns se Israel implementar o acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, chamando-lhe um "acordo excecional" destinado a recolocar a trégua no caminho certo.
Um alto funcionário do Hamas disse que as conversações sobre a segunda fase do cessar-fogo, há muito adiadas, terão de começar no dia da libertação e durar no máximo 50 dias.
Israel também terá de deixar de impedir a entrada de ajuda humanitária e retirar-se de um corredor estratégico ao longo da fronteira de Gaza com o Egito.
O Hamas exige ainda a libertação de mais prisioneiros palestinianos em troca de reféns, disse o funcionário, que falou sob condição de anonimato.
Edan Alexander, de 21 anos, que cresceu em Tenafly, Nova Jersey, foi raptado da sua base militar durante o ataque do Hamas de 07 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra, e é o último cidadão americano vivo detido em Gaza.
A proposta do Hamas não obteve comentários imediatos de Israel, onde os escritórios do governo estavam fechados para o Sabbath semanal.
Na sexta-feira, o gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, acusou o Hamas de "manipulação e guerra psicológica" quando a oferta foi feita inicialmente, antes de o Hamas ter explicitado as condições.
Os Estados Unidos apresentaram na quarta-feira uma proposta para prolongar o cessar-fogo por mais algumas semanas, enquanto as partes negoceiam uma trégua permanente.
O Hamas afirma que está a reivindicar flexibilidade em público e a fazer exigências "totalmente impraticáveis" em privado.
As negociações prosseguiram no Egito depois de o líder do Hamas, Khalil al-Hayya, ter chegado ao Cairo na sexta-feira.
O Egito e o Qatar foram os principais mediadores com o Hamas na obtenção do cessar-fogo e continuaram a acolher as conversações com o objetivo de o restabelecer.
Os mediadores não fizeram qualquer comentário imediato.
Nos termos do acordo de cessar-fogo alcançado em janeiro, Israel e o Hamas deveriam iniciar as negociações sobre uma segunda fase - na qual o Hamas libertaria todos os reféns restantes em troca de uma trégua duradoura - no início de fevereiro, mas até agora apenas se realizaram conversações preparatórias.
Depois de a primeira fase ter terminado no início deste mês, Israel disse que tinha concordado com uma nova proposta dos EUA em que o Hamas libertaria metade dos reféns restantes em troca de um compromisso vago de negociar um cessar-fogo duradouro. O Hamas rejeitou essa proposta, acusando Israel de recuar no acordo assinado e de tentar sabotar as tréguas.
Israel proibiu a entrega de alimentos, combustível e outros fornecimentos aos cerca de dois milhões de palestinianos de Gaza e cortou a eletricidade no território, para pressionar o Hamas a aceitar a nova proposta.
A primeira fase da trégua, que entrou em vigor a 19 de janeiro, permitiu a libertação de 25 reféns israelitas e a entrega dos corpos de outros oito, em troca de cerca de 2.000 prisioneiros palestinianos.
As forças israelitas recuaram para uma zona tampão ao longo da fronteira de Gaza e permitiram um aumento da ajuda humanitária.
Um funcionário israelita disse no mês passado que Israel não se retirará do chamado corredor de Filadélfia, ao longo da fronteira entre Gaza e o Egito, tal como previsto no acordo de cessar-fogo. As autoridades israelitas referiram a necessidade de combater o contrabando de armas.
A guerra começou quando militantes liderados pelo Hamas invadiram o sul de Israel em 07 de outubro de 2023, matando cerca de 1.200 pessoas, na sua maioria civis, e fazendo 251 reféns.
O grupo ainda mantém 59 reféns, 24 dos quais se crê estarem vivos, depois de a maioria dos restantes ter sido libertada em acordos de cessar-fogo.
A ofensiva militar de Israel matou mais de 48.000 palestinianos, na sua maioria mulheres e crianças, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, que não indica quantos dos mortos eram combatentes. Israel afirma ter matado cerca de 20.000 militantes, sem fornecer provas.
A guerra destruiu vastas áreas de Gaza, deslocou a maior parte da população e deixou quase toda a gente dependente da ajuda internacional para sobreviver.
Israel põe fim a cessar-fogo e ataca. É a "sentença de morte" dos reféns?
Após meses de uma relação instável, Israel decidiu voltar a atacar. Há mais de 300 mortos e a promessa de que esta pode ser a "sentença de morte" para os reféns que ainda aguardavam por regressar a casa.
Dezasseis dias depois do fim da 1.ª fase do acordo de cessar-fogo com o Hamas - e após cerca de dois meses de uma relação de altos e baixos -, Israel decidiu voltar a atacar a Faixa de Gaza.
As Forças de Defesa de Israel lançaram dezenas de ataques em toda a Faixa de Gaza durante esta noite, depois de terem recebido ordens do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para "atuar com força" contra o grupo terrorista, noticia o The Times of Israel. Segundo o mesmo meio, a ordem do governante acontece depois de o Hamas se ter recusado a libertar reféns.
Recorde-se que Israel exigia que a primeira fase do acordo continuasse até que mais reféns israelitas fossem libertados.
Na semana passada, o Hamas anunciou a libertação de um refém americano-israelita e ainda a entrega de quatro corpos. Contudo, garantia que isso só aconteceria se, no dia da libertação, as conversações sobre a segunda fase do cessar-fogo, há muito adiadas, voltassem a estar em cima da mesa e durassem no máximo 50 dias.
Israel também teria de deixar de impedir a entrada de ajuda humanitária e retirar-se de um corredor estratégico ao longo da fronteira de Gaza com o Egito.
O Hamas avisou hoje que só libertará um americano-israelita e os corpos de quatro outros reféns se Israel implementar o acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, chamando-lhe um "acordo excecional" destinado a recolocar a trégua no caminho certo.
Israel decide não esperar e volta a atacar
"Perante as repetidas recusas do Hamas em libertar os nossos reféns, bem como as constantes rejeições ás propostas norte-americana", afirmou Netanyahu, Israel decidiu voltar ao ataque.
Antes de o fazer, terá informado Washington, conforme confirmou fonte da Casa Branca. "A administração Trump e a Casa Branca foram consultadas pelos israelitas sobre os seus ataques em Gaza esta noite", disse a secretária de imprensa Karoline Leavitt no programa ‘Hannity’, da Fox News.
"Como o Presidente Trump deixou claro, o Hamas, os Hutis, o Irão e todos aqueles que procuram aterrorizar não só Israel, mas também os Estados Unidos, vão pagar um preço: o inferno vai rebentar", disse Leavitt na entrevista televisiva.
E assim foi. Mais de 300 pessoas terão morrido nos ataques que tiveram início esta manhã. Um responsável do ministério, Mohammed Zaqout, disse à agência de notícias France-Presse que foram registados "mais de 330 mortes, a maioria crianças e mulheres palestinianas, e centenas de feridos, dezenas dos quais estão em estado crítico".
Um dirigente do Hamas disse que a decisão do primeiro-ministro israelita equivale a uma "sentença de morte" para os restantes reféns.
O nosso maior medo tornou-se realidade"
Entretanto, as famílias dos reféns já se pronunciaram sobre os ataques, mostrando-se revoltados com o que está a acontecer. "O nosso maior receio tornou-se realidade", afirmaram num comunicado, onde referem, ainda, que desta forma, Israel está "a entregar a vida dos reféns".
"Estamos horrorizados, furiosos e assustados com a desestabilização intencional do processo de regresso dos nossos entes queridos do terrível cativeiro do Hamas", acrescentam.
Já o governo israelita veio reforçar que os ataques não vão acabar enquanto os reféns não forem libertados.
Famílias acusam governo israelita de abandonar os reféns
O Fórum das Famílias dos Reféns e Desaparecidos, que reúne os familiares da maioria dos prisioneiros na Faixa de Gaza, condenou os bombardeamentos israelitas desta noite no enclave e acusou o Governo israelita de abandonar os reféns.
Os membros da organização disseram estar "totalmente dececionados" com o ataque que ocorreu durante a noite.
O diretor do Ministério da Saúde do movimento islamita palestiniano Hamas para a Faixa de Gaza, Mohammed Zaqout, disse hoje à France Presse que foram contabilizados mais de 330 mortos, na maioria crianças e mulheres palestinianas, e centenas de feridos.
Em Israel, o Fórum das Famílias que se manifesta semanalmente para exigir o fim da guerra e garantir o regresso dos reféns, afirma que o Governo de Benjamin Netanyahu deve regressar ao cessar-fogo que esteve em vigor durante quase dois meses.
"Porque é que não lutam na sala de negociações? Porque é que abandonam o acordo que podia ter trazido toda a gente para casa", lamentam os familiares dos reféns.
No mesmo comunicado publicado hoje de manhã no jornal Haaretz, de Jerusalém, o fórum acusa o Governo israelita de abandonar os reféns.
Neste momento, permanecem 59 cativos na Faixa de Gaza, a maioria raptada no ataque do Hamas de 07 de outubro de 2023.
No ataque de 2023, o Hamas matou 1.200 pessoas em território israelita e fez 251 reféns.
"O regresso aos combates antes da libertação do último refém será feito à custa dos 59 prisioneiros que permanecem em Gaza e que poderiam ser salvos", continua o comunicado.
Para os familiares dos reféns, o Executivo de Israel recusou-se a declarar o fim da guerra afastando-se das etapas seguintes do acordo e recuperar os 59 cativos.
Por outro lado, o fórum de direita Tikva, um outro grupo que reúne as famílias de alguns dos reféns, apoiou os bombardeamentos.
"Ou tudo ou o inferno", disse o grupo Tikva.
"As últimas semanas provaram o que temos vindo a dizer: o Hamas não vai devolver os reféns. Só a pressão militar, o bloqueio total, incluindo o corte da eletricidade e da água, e a ocupação dos territórios vão levar o Hamas ao colapso", indica o comunicado o fórum de direita.
A segunda fase do cessar-fogo em Gaza deveria ter começado no passado dia 02 de março, mas Israel e o Hamas nunca chegaram a acordo sobre os termos.
Esta fase implicava o fim duradouro das hostilidades, a retirada das tropas israelitas do enclave e o regresso dos restantes reféns.
Israel exigiu um prolongamento da primeira fase insistindo na manutenção das tropas em Gaza e a libertação dos reféns.
O Hamas rejeitou a posição, exigindo o cumprimento do plano originalmente acordado.
Durante a primeira fase do cessar-fogo, o Hamas libertou 33 reféns israelitas e cinco cidadãos tailandeses, o que não estava previsto inicialmente.
Israel libertou cerca de 1.800 prisioneiros palestinianos.
Hamas acusam os Estados Unidos de "conluio" em ataque israelita a Gaza
O grupo islamita Hamas declarou esta terça-feira que os Estados Unidos são cúmplices dos ataques israelitas de hoje na Faixa de Gaza e também são responsáveis pelos massacres e assassínios de mulheres e crianças na Faixa de Gaza.
De acordo com um comunicado do Hamas, os Estados Unidos foram previamente informados por Israel sobre os ataques de hoje contra Gaza.
"Esta admissão revela mais uma vez o flagrante conluio e parcialidade dos Estados Unidos com a ocupação (Israel) e expõe a falsidade das suas alegações sobre o seu empenho em acalmar a situação", afirmou o grupo palestiniano na nota, divulgada nas redes sociais.
Por isso, o Hamas afirmou que "Washington, com o seu apoio político e militar ilimitado à ocupação, tem total responsabilidade pelos massacres e assassinatos de mulheres e crianças em Gaza".
O Hamas pediu ainda que "a comunidade internacional tome medidas urgentes para responsabilizar a ocupação e os seus apoiantes por estes crimes contra a humanidade". Mais de 400 palestinianos morreram hoje em consequência do bombardeamento israelita em Gaza, que começou na madrugada, violando o cessar-fogo.
O Governo norte-americano confirmou que Israel informou-o antes de retomar os ataques à Faixa de Gaza, que violou o cessar-fogo estabelecido entre os israelitas e o Hamas, que começou em 19 de janeiro.
O Hamas e os Estados Unidos mantiveram conversações diretas sobre a continuação do cessar-fogo, e o grupo islamista ofereceu-se para libertar um refém norte-americano-israelita vivo que está detido em Gaza, além de outros quatro mortos.
Os rebeldes Huthis condenaram hoje "o retomar da agressão" contra a Faixa de Gaza pelo exército israelita e declararam que "o povo palestiniano não estará sozinho nesta batalha".
O Conselho Político Supremo Huthi - o Governo estabelecido pelos rebeldes nas zonas do Iémen sob o seu controlo desde 2015 - declarou que estes bombardeamentos "coincidem com os ataques dos Estados Unidos contra o Iémen", que aconteceram na segunda-feira e provocaram mais de 50 mortos.
Segundo os Huthis, estes ataques também ocorrem semanas depois de Israel ter cortado a entrada de ajuda humanitária em Gaza "para enfraquecer os negociadores palestinianos e obter vitórias políticas que não conseguiram" durante a sua ofensiva militar.
O Iémen "continuará a apoiar o povo palestiniano e a aumentar os seus esforços na luta", afirmaram os Huthis, sublinhando que Israel e os Estados Unidos são "totalmente responsáveis por violar o cessar-fogo e impedir os esforços para avançar para a segunda fase (do acordo firmado entre Israel e o Hamas)".
A Proteção Civil da Faixa de Gaza, controlada pelo movimento islamita Hamas, anunciou hoje a morte de pelo menos mais 14 pessoas em novos ataques israelitas contra o território palestiniano durante a noite.
Fontes médicas citadas pelo jornal Filastin, ligado ao Hamas, avançaram este número de vítimas mortais após ataques aéreos israelitas contra Khan Yunis e Rafah, no sul da Faixa de Gaza, bem como no centro do enclave.
O porta-voz do serviço de primeiros socorros Mahmoud Bassal disse à agência de notícias France-Presse que os ataques aéreos de Israel resultaram ainda em "dezenas de feridos, incluindo mulheres e crianças".
De acordo com fontes médicas, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) dispararam contra várias casas no bairro de Al Yanina, no leste de Rafah, enquanto lançavam um ataque no distrito de Mawasi, em Khan Yunis.
No centro do enclave palestiniano, aviões da força aérea israelita bombardearam os campos de refugiados de Deir al-Bala e Al-Bureij.
A maioria dos bombardeamentos ocorreu perto da zona humanitária de Mawasi, que as IDF tinham estabelecido meses antes como um "refúgio seguro" para as pessoas deslocadas de outras zonas atacadas e onde milhares de residentes de Gaza ainda vivem em tendas.
A agência de notícias palestiniana Wafa, citando fontes locais, refere que os ataques israelitas foram realizados com recurso a drones e caças, que tinham como alvo tendas onde dormiam crianças.
De acordo com o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo movimento islamita palestiniano Hamas, os ataques aéreos israelitas lançados na terça-feira causaram pelo menos 404 mortos e 562 feridos.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse na terça-feira que ordenou os ataques aéreos devido à falta de progressos nas negociações em curso com o Hamas para prolongar o cessar-fogo.
Num discurso transmitido pela televisão, Netanyahu afirmou que as negociações sobre a libertação dos reféns ainda detidos em Gaza "só terão lugar sob fogo, a partir de agora", considerando que a pressão militar "é essencial" para garantir o regresso dos israelitas sequestrados em 07 de outubro de 2023.
O ministro das Finanças israelita, Bezalel Smotrich, que lidera um partido de extrema-direita, indicou que o ataque tem como objetivo "devolver todos os reféns e eliminar a ameaça que a Faixa de Gaza representa para os cidadãos de Israel".
As famílias dos cerca de 20 reféns israelitas que ainda estão na Faixa de Gaza pediram aos apoiantes que participassem hoje num protesto junto ao parlamento de Israel contra o fim do cessar-fogo.
Izzat al-Risheq, dirigente do Hamas, disse na terça-feira que a decisão do primeiro-ministro israelita equivale a uma "sentença de morte" para os restantes reféns.
Huthis reivindicam quarto ataque contra porta-aviões dos EUA
Os Huthis do Iémen reivindicaram hoje o quarto ataque no espaço de três dias contra um porta-aviões norte-americano no mar Vermelho, em resposta aos ataques dos EUA contra bastiões destes rebeldes.
O porta-voz das operações militares do grupo disse que lançaram "vários mísseis de cruzeiro e drones" contra o porta-aviões Harry Truman e "vários navios de guerra inimigos".
"A operação atingiu os seus objetivos com sucesso", disse, na plataforma de mensagens Telegram, Yahya Sari, depois de indicar que conseguiram frustrar um ataque contra o Iémen.
"Depois de retomarmos as nossas operações de apoio ao povo palestiniano oprimido, detetámos movimentos militares hostis no mar Vermelho, preparando-se para lançar um ataque aéreo em grande escala contra o nosso país", disse Sari.
"Em retaliação, forças de mísseis, navais e drones realizaram uma operação conjunta", explicou o porta-voz dos Huthis.
Sari declarou que "a agressão dos EUA não impedirá o firme e resiliente Iémen de cumprir os seus deveres religiosos, morais e humanitários para com o povo palestiniano".
O grupo rebelde "intensificará as suas operações militares contra o inimigo sionista, a menos que cesse a agressão brutal contra Gaza e levante o bloqueio" da ajuda humanitária, prometeu o dirigente.
Os Estados Unidos não confirmaram até ao momento qualquer ataque contra o porta-aviões Harry Truman.
O anúncio dos Huthis surgiu horas depois de os meios de comunicação dos rebeldes e testemunhas relatarem, na terça-feira, à noite ataques dos Estados Unidos na província de Saada, no norte do Iémen, um bastião do grupo apoiado pelo Irão.
"Um ataque de agressão dos EUA" teve como alvo "a província de Saada", relataram a agência de notícias dos Huthis, Saba, e a televisão pró-rebelde Al Massira, enquanto testemunhas relataram à agência France-Presse (AFP) "três ataques" em Saada.
O Comando Central dos Exército dos Estados Unidos, responsável pelo Médio Oriente, confirmou na rede social X que as suas forças "continuam as operações contra os terroristas Huthis, apoiados pelo Irão".
No sábado à noite, os EUA iniciaram uma série de ataques aéreos contra várias cidades controladas pelos Huthis no norte e centro do Iémen, bem como em Sana, que segundo o movimento xiita fizeram 53 mortos e 98 feridos.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avisou na segunda-feira que o Irão será "considerado responsável" por qualquer novo ataque dos Huthis, após o movimento iemenita apoiado por Teerão reivindicar uma ação armada contra um porta-aviões norte-americano no mar Vermelho.
Os Huthis, que controlam a capital Sana e outras regiões no norte e oeste do Iémen desde 2015, começaram a atacar há mais de um ano território israelita e navios ligados ao país com drones e mísseis nas águas do mar Vermelho e do golfo de Aden.
Ataques israelitas contra a Faixa de Gaza matam mais 43 pessoas
A ofensiva israelita na Faixa de Gaza, retomada na terça-feira após um cessar-fogo de dois meses, matou pelo menos mais 43 pessoas e feriu outras 82 durante a noite, avançou hoje a imprensa palestiniana.
De acordo com o jornal Filastin, ligado ao movimento islamita palestiniano Hamas, o diretor do Hospital Indonésio afirmou que "o norte de Gaza teve uma noite difícil".
Marwan Sultan recordou que Israel "destruiu máquinas de oxigénio e outros equipamentos necessários" para o tratamento médico dos feridos.
"Estamos a enfrentar dificuldades para responder às necessidades do enorme número de feridos. A situação em Gaza é catastrófica, e a região está a enfrentar um genocídio", acrescentou o médico.
O jornal avançou que também ocorreram ataques contra as cidades de Rafah e Khan Yunis, ambas no sul da Faixa de Gaza, e contra o campo de refugiados de Al-Bureij, no centro.
Os ataques israelitas tinham causado a morte de pelo menos 591 palestinianos e ferido 1.042 nas últimas 72 horas, indicou na quinta-feira à noite o Governo da Faixa de Gaza, controlado pelo Hamas.
"Desde a madrugada de terça-feira até agora, o Exército de ocupação israelita cometeu dezenas de massacres em diversas zonas da Faixa de Gaza, através de violentos bombardeamentos aéreos direcionados, e sem aviso prévio, contra habitações de civis. Isto causou a morte de 591 palestinianos e ferimentos em outros 1.042 que conseguiram chegar aos hospitais", referiu o Governo num comunicado.
Na nota, o Governo de Gaza recorda ainda que a percentagem de crianças, mulheres e idosos mortos ultrapassou os 70% do total de mortes durante este período, razão pela qual considera que Israel "continua a atingir diretamente civis como parte de um crime sistemático de genocídio".
"Esta agressão brutal reflete a intenção premeditada da ocupação de completar o genocídio do nosso povo na Faixa de Gaza, com o apoio dos Estados Unidos e um vergonhoso silêncio internacional", acrescenta no texto.
Por outro lado, o ministro da Defesa israelita, Israel Katz, ordenou na quinta-feira às suas tropas, após uma reunião com altos responsáveis da Defesa, que "continuem a intensificar as operações em Gaza", onde "a pressão militar está já a afetar as posições do Hamas".
Também na quinta-feira, o Presidente israelita, Isaac Herzog, manifestou-se "profundamente perturbado" com o recomeço dos ataques na Faixa de Gaza e consequências destes no regresso dos reféns ali mantidos pelo Hamas, desafiando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
"É impensável retomar os combates enquanto se prossegue a missão sagrada de repatriar os nossos reféns", acrescentou o chefe de Estado, cargo a que não competem poderes, mas que é geralmente respeitado.
Presidente israelita desafia Netanyahu e questiona ataques em Gaza
O presidente israelita, Isaac Herzog, manifestou-se hoje "profundamente perturbado" com o recomeço dos ataques na Faixa de Gaza e consequências destes no regresso dos reféns ali mantidos pelo Hamas, desafiando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.
"É impossível não ficar profundamente perturbado com a dura realidade que se desenrola perante os nossos olhos", afirmou Herzog numa declaração em vídeo, sem mencionar o nome do primeiro-ministro.
"É impensável retomar os combates enquanto se prossegue a missão sagrada de repatriar os nossos reféns", acrescentou o chefe de Estado, cargo a que não competem poderes, mas que é geralmente respeitado.
Netanyahu assumiu a responsabilidade pelo lançamento de ataques intensos em Gaza que desde terça-feira, segundo o Hamas, mataram mais de 500 pessoas.
Os ataques foram seguidos de uma operação terrestre "direcionada" para pressionar o movimento islamita a libertar os 58 reféns ainda detidos no território.
As famílias dos reféns afirmam que estes ataques podem pôr em risco a vida dos prisioneiros.
Na mensagem, Herzog apelou aos líderes políticos para que "ponderem cuidadosamente cada medida e avaliem se esta reforça a resiliência nacional, em particular se contribui para o esforço de guerra e para o regresso dos reféns".
O Presidente lamentou também que "milhares de reservistas tenham sido convocados recentemente".
"É inconcebível enviar os nossos filhos para a frente de batalha e, ao mesmo tempo, promover iniciativas controversas que (...) criam divisões profundas no seio da nossa nação", acrescentou.
A declaração foi feita enquanto o governo se reunia para aprovar, sob proposta do primeiro-ministro, a demissão do chefe do Serviço de Segurança Interna (Shin Bet), Ronen Bar.
A decisão do chefe de governo surgiu após este serviço de informações interno receber instruções da Procuradoria israelita para que investigue alegadas ligações de funcionários do gabinete do primeiro-ministro ao Qatar.
Netanyahu defendeu na segunda-feira que a sua decisão de despedir Bar foi tomada depois de ter perdido a sua confiança no responsável.
Bar respondeu numa longa declaração, noticiada pela imprensa israelita, salientando que "o dever de confiança do diretor do Shin Bet é, antes de mais, para com os cidadãos de Israel".
"A expectativa de lealdade pessoal do primeiro-ministro é fundamentalmente errónea e diretamente contrária à lei do Shin Bet", adiantou.
Netanyahu está também a enfrentar tensões crescentes com a procuradora-geral Gali Baharav-Miara, a quem acusou de "traição perigosa" e "uma tentativa de usurpar o governo" ao posicionar-se contra a demissão de Bar.
Além disso, Netanyahu tem comparecido em tribunal vários dias por semana desde 10 de dezembro para ser julgado por três casos de corrupção.
O seu depoimento final, previsto para terça-feira, foi cancelado devido ao início da nova ofensiva de Israel em Gaza.
Na quarta-feira, Netanyahu recorreu às redes sociais para afirmar que "os esgotos estatais esquerdistas estão a usar o sistema judicial" contra si, equiparando-se ao Presidente norte-americano, Donald Trump, seu aliado, que também foi alvo de diversas acusações judiciais, uma das quais resultou em condenação.
"Nos Estados Unidos e em Israel, quando um forte líder de direita ganha uma eleição, os esgotos estatais esquerdistas instrumentalizam o sistema judicial para frustrar a vontade do povo", publicou.
Poucos minutos depois, o Presidente Isaac Herzog saiu em defesa do poder judicial israelita "forte e independente", que "é um trunfo para a democracia" israelita.
"O Presidente de Israel tem muito orgulho nisso", publicou Herzog nas redes sociais
Um morto e um ferido em ataque no norte de Israel
Pelo menos uma pessoa morreu e outra ficou ferida num tiroteio hoje de manhã no norte de Israel, segundo os serviços de emergência israelitas.
O autor do ataque a tiro foi morto pelos agentes no local, segundo a polícia israelita.
"Um terrorista abriu fogo contra civis e foi imediatamente neutralizado por agentes da polícia presentes no local", disse o porta-voz da polícia israelita, acrescentando que o ataque ocorreu em Tishbi, perto de Yoqneam, a cerca de 15 quilómetros a sudeste de Haifa.
O Magen David Adom, o equivalente israelita da Cruz Vermelha, relatou que um homem na casa dos 70 anos foi morto no ataque, e outro homem na casa dos 20 estava em "estado grave".