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Ambição de Trump sobre a Gronelândia intensifica tensão com a Europa
A intenção reiterada do presidente dos EUA, Donald Trump, de adquirir a Gronelândia, admitindo usar força militar, voltou a provocar tensão diplomática com a Europa num contexto agravado pela intervenção norte-americana na Venezuela.
Território autónomo do Reino da Dinamarca, situado entre os oceanos Atlântico e Ártico, a Gronelândia tem cerca de um quarto da sua superfície coberta de gelo, uma população de aproximadamente 56.000 habitantes e recursos minerais estratégicos, incluindo terras raras, cujo valor aumentou com o degelo progressivo do Ártico.
A incerteza em torno dos planos de Trump intensificou-se desde a visita privada do seu filho, Donald Trump Jr., à ilha, em janeiro de 2025, e da deslocação do vice-Presidente, JD Vance, à base militar norte-americana de Pituffik, em março do mesmo ano.
O interesse de Trump pela Gronelândia remonta ao seu primeiro mandato, quando, em agosto de 2019, confirmou publicamente a intenção de comprar o território, proposta rejeitada de imediato pela primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, que afirmou que "a Gronelândia não está à venda".
Já no seu segundo mandato, Trump declarou, em dezembro de 2024, que a "propriedade e o controlo" da ilha constituem uma "necessidade absoluta" para a segurança nacional dos Estados Unidos, posição reiterada nos últimos dias pela Casa Branca, que admitiu não excluir o uso das forças armadas e manifestou também disponibilidade para uma compra.
Segundo o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, os assessores de Trump estão a preparar um plano atualizado para encontrar uma via que permita adquirir o território, declaração que voltou a alarmar governos europeus.
Copenhaga reagiu convocando repetidamente representantes diplomáticos norte-americanos e exigindo respeito pela integridade territorial do reino, posição apoiada pela Comissão Europeia e por vários chefes de Governo europeus, que sublinharam que a soberania da Dinamarca é essencial para a União Europeia.
O primeiro-ministro da Gronelândia, Múte B. Egede, apelou à calma, reiterando que o futuro do território cabe exclusivamente aos groenlandeses, embora tenha manifestado abertura para reforçar a cooperação económica com Washington.
Uma sondagem divulgada em janeiro de 2025 indicou que 85% da população da Gronelândia se opõe a uma eventual saída da Dinamarca, contra apenas 6% favoráveis à anexação aos Estados Unidos.
O interesse norte-americano pela ilha não é novo e remonta ao século XIX, tendo sido formalizado em 1946, quando o então Presidente Harry Truman ofereceu 100 milhões de dólares à Dinamarca pela Gronelândia, proposta rejeitada por Copenhaga.
Mas a ambição em relação à Gronelândia insere-se numa longa tradição expansionista norte-americana, iniciada no século XIX, com a compra da Luisiana à França, em 1803, por 15 milhões de dólares, durante a presidência de Thomas Jefferson, acordo aceite por Napoleão Bonaparte e que duplicou a dimensão territorial dos Estados Unidos.
Em 1819, a Flórida oriental foi cedida por Espanha através do Tratado Adams-Onís, seguindo-se a incorporação do Texas, em 1845, e a chamada Cessão Mexicana após a guerra de 1848, que integrou vastos territórios hoje correspondentes à Califórnia, Nevada, Utah, Arizona e partes de outros estados do sudoeste.
A expansão prosseguiu com a compra do Alasca à Rússia, em 1867, por 7,2 milhões de dólares, e com a aquisição das atuais Ilhas Virgens Americanas à Dinamarca, em 1917, por 25 milhões de dólares em ouro.
Atualmente, os Estados Unidos mantêm uma presença militar permanente na Gronelândia, herdeira de acordos assinados durante a Segunda Guerra Mundial e da instalação da estratégica base aérea de Thule, um dos pilares do sistema de defesa no Ártico durante a Guerra Fria.
Trump diz que governo cubano "está por um fio" e "em sérios apuros"
O presidente norte-americano, Donald Trump, alertou hoje que o Governo cubano liderado por Miguel Díaz-Canel "está por um fio" e "em sérios apuros", na sequência do recente ataque dos EUA contra a Venezuela para deter Nicolás Maduro.
"Acho que Cuba está por um fio. Cuba está em sérios apuros (...) Cuba está em apuros há 45 anos e não caiu. Mas acho que estão muito perto disso por vontade própria", realçou, numa entrevista ao programa do radialista Hugh Hewitt, quando questionado se havia alguma possibilidade de Díaz-Canel cair.
Sobre a possibilidade de exercer mais pressão sobre Havana, o presidente norte-americano respondeu que não acredita que possa fazer mais do que "entrar e destruir o local".
Destacou ainda que a ilha depende dos recursos venezuelanos, que, desde a detenção de Maduro, quer concentrar nas empresas norte-americanas.
As declarações do republicano surgem depois da operação militar dos EUA no país da América Latina, que levou à captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e da mulher, Cilia Flores.
A 'número dois' do Governo de Maduro, Delcy Rodriguez - irmã do atual presidente do parlamento - foi entretanto investida como nova presidente da Venezuela.
O ministro do Interior venezuelano, Diosdado Cabelo, indicou hoje que pelo menos 100 pessoas morreram na sequência do ataque dos Estados Unidos.
A agência France-Presse (AFP) noticiou a morte de pelo menos um civil, um miliciano, 23 militares venezuelanos e 32 cubanos.
Renee era "guerreira" anti-ICE? O que levou ICE a matar a norte-americana
Renee faria parte de um grupo de protesto contra os serviços de imigração norte-americana. Recorde-se, porém, que imagens do momento levantam dúvidas quanto às teorias de Washington que dizem que esta tentou atropelar o agente. O que levou ICE a matar mulher norte-americana?
Mãe de três filhos, poetisa premiada e guitarrista amadora, têm-se levantado questões sobre o motivo pelo qual se tornou alvo dos serviços de imigração norte-americanos. As dúvidas adensam-se inclusivamente pelo facto de se tratar de uma cidadã norte-americana.
Justificação de Washington
Recorde-se que após o incidente, a porta-voz do Departamento de Segurança Interna, Tricia MacLaughlin, disse que o tiroteio ocorreu quando "manifestantes violentos" estavam "a impedir que os agentes do ICE" realizassem uma operação.
O vice-presidente norte-americano, JD Vance, insistiu que o agente de controlo agiu em "legítima defesa" e a porta-voz da Casa Branca afirmou que as forças de segurança norte-americanas estão a enfrentar um "ataque organizado" em todo o país.
"O incidente fatal ocorrido ontem (quarta-feira) no Minnesota é o resultado de um movimento de esquerda mais amplo e perigoso que se espalhou por todo o país, onde os bravos homens e mulheres da polícia enfrentam um ataque organizado", afirmou Karoline Leavitt.
Renee era uma guerreira anti-ICE?
Estas afirmações vêm agora de encontro a novas informações sobre a mulher, a que o NY Post alegadamente teve acesso. Segundo esta publicação, a mulher faria parte de um grupo de esquerda radical que desencadeou vários protestos contra o ICE, no Minnesota.
Renee Nicole Good era uma "guerreira" anti-ICE e fazia parte de um grupo de ativistas que trabalhava para "resistir" à repressão federal à imigração em Minnesota. A mulher, que se mudou para a cidade no ano passado, juntou-se a estes através da comunidade escolar do seu filho de 6 anos, comunidade essa que se orgulha de colocar "a justiça social em primeiro lugar" e priorizar "o envolvimento das crianças no ativismo político e social"
"Ela era uma guerreira. Morreu a fazer o que era certo", afirmou outro elemento deste grupo, ao The Post, durante uma vigília de homenagem a Renee.
Mas que movimento é este?
Segundo a mesma publicação, os 'Indivisible' são uma ramificação do 'Indivisible Project' em Washington DC, que se autodenomina como um movimento para derrotar a "agenda Trump".
A Indivisible Twin Cities, que se descreve como um grupo de voluntários de base, liderou muitos dos protestos contra as rusgas do ICE em Minnesota, onde Renee Macklin Good foi morta a tiro na quarta-feira.
Na análise do jornal é possível ver, frame a frame, o que se passou entre os agentes envolvidos no tiroteio e a mulher de 37 anos, que estava num veículo. Segundo o mesmo meio, o tiro fatal teria sido disparado quando o agente já não estava em frente à viatura, ou seja, não correndo perigo de ser atropelado.
Capturar Putin? "Não acho que seja necessário", admite Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartou a necessidade de uma operação para capturar o presidente da Rússia, Vladimir Putin, semelhante à que ocorreu na Venezuela. Trump defendeu-se dizendo: "Sempre tive uma ótima relação com ele".
O presidente dos Estados Unidos defendeu na sexta-feira que não "será necessário" organizar uma operação à semelhança da que aconteceu na Venezuela para capturar o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
"Não acho que seja necessário. Sempre tive uma ótima relação com ele", afirmou em declarações aos jornalistas em Washington, após uma reunião com executivos do setor petrolífero.
O comentário, recorde-se, surge depois de a administração Trump ter organizado e autorizado um ataque à Venezuela para capturar o presidente, agora destituído, Nicolás Maduro, e a mulher, Cilia Flores. O casal foi levado para os Estados Unidos onde permanece detido até ao seu julgamento. Maduro é acusado de importar cocaína para os Estados Unidos, entre outros crimes.
Na mesma conversa, na sexta-feira, Trump acrescentou: "Estou muito desiludido. Resolvi oito guerras e achei que esta [entre a Rússia e a Ucrânia] seria talvez uma das mais fáceis".
Apesar de os esforços dos Estados Unidos terem sido, recorrentemente, frustrados, Donald Trump continuou a mostrar-se confiante na resolução do conflito, frisando que Moscovo perdeu 31 mil pessoas só no mês passado e que a economia nacional está numa "má situação".
"Acho que vamos acabar por resolver isto. Gostava que o pudéssemos ter feito mais rápido", admitiu.
Mais à frente, mas ainda durante a mesma conversa, Trump comentou ainda que Vladimir Putin não se sente intimidado ou minimamente pressionado pelos líderes europeus para chegar a um acordo com Kyiv. Esse papel, defendeu, cabe exclusivamente aos Estados Unidos.
"A Europa tem feito muito pela Ucrânia, mas não tem sido o suficiente. E eu diria que o presidente Putin não tem medo da Europa. Ele tem medo dos Estados Unidos da América liderados por mim", atirou.
As declarações do presidente norte-americano surgem numa altura em que o acordo de paz entre a Rússia e a Ucrânia já estará "90% pronto".
Ainda não se sabe, contudo, qual será a resposta de Moscovo ao documento, que, depois de uma primeira versão, tem sido trabalhado maioritariamente pela Ucrânia com a mediação dos Estados Unidos.
"Continuar a aplicar a lei". Polícias federais enviados para Minneapolis
Centenas de polícias federais vão ser enviados para Minneapolis entre hoje e segunda-feira, anunciou a secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, depois de uma residente norte-americana ter sido morta por um agente do Serviço de Imigração (ICE).
"Continuaremos a aplicar a lei: se os indivíduos cometerem atos de violência contra as forças da lei ou obstruírem as nossas operações, isso é crime e vamos responsabilizá-los pelas consequências", disse a secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, durante uma participação no programa "Sunday Morning Futures" da Fox News.
Antes, na CNN, a secretária acusou os democratas de "incentivarem" a violência contra o ICE, o braço da ofensiva da administração norte-americana contra a imigração ilegal nos Estados Unidos, que foi declarada prioridade nacional.
Enquanto se realizam manifestações por todo o país para lamentar a tragédia que tirou a vida à norte-americana Renee Nicole Good, de 37 anos, Kristi Noem reiterou a versão oficial dos acontecimentos como legítima defesa, referindo-se ao sucedido como um ato de "terrorismo doméstico".
Apesar de vários políticos democratas, principalmente o governador do Minnesota, Tim Walz, e o presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, contestem esta explicação, com base em imagens de vídeo, a secretária de Segurança Interna acusa-os de terem "politizado excessivamente a situação", falando "inapropriadamente" sobre o que se passa no local.
"Inflamaram a opinião pública. Incentivaram o tipo de destruição e violência que temos visto em Minneapolis nos últimos dias", declarou.
Desde o tiroteio de quarta-feira em Minneapolis, milhares de pessoas têm-se manifestado em várias cidades do país, na sua maioria de forma pacífica, exigindo uma investigação completa sobre as circunstâncias do tiroteio fatal.
Os parlamentares democratas criticam particularmente o facto de os investigadores locais terem sido excluídos da investigação do FBI.
A investigação deverá ser "neutra, imparcial e baseada nos factos", reiterou hoje o presidente da Câmara de Minneapolis, em entrevista à CNN.
Jacob Frey considerou ainda legítimas as ações de ativistas organizadas para tentar travar as operações de fiscalização da imigração --- do tipo em que a vítima estava a participar.
"É claro que as leis devem ser cumpridas, obviamente. Mas também existe a obrigação de as cumprir e de conduzir as operações policiais de forma consistente com a Constituição", disse o autarca de Minneapolis, dando exemplos como "mulheres grávidas a serem arrastadas nas ruas" e "estudantes do liceu" a serem detidos sem motivo.
Cuba alerta EUA: "Pronta para defender pátria até última gota de sangue"
O Presidente de Cuba afirmou hoje que "ninguém dita o que fazer" ao país, em resposta às ameaças proferidas pelo homólogo norte-americano, Donald Trump.
Cuba é "uma nação livre e independente", escreveu Miguel Diaz-Canel, na rede social X.
"Cuba não agride, é agredida pelos Estados Unidos há 66 anos, e não ameaça, prepara-se, pronta para defender a pátria até à última gota de sangue", acrescentou.
Anteriormente, Trump tinha exortado Cuba a "aceitar um acordo, antes que seja tarde demais", e que o país fique sem petróleo e dinheiro venezuelanos.
Os Estados Unidos lançaram há uma semana uma operação em Caracas para capturar o Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e anunciaram que pretendem administrar o país e o petróleo.
Acusados de tráfico de droga, Maduro e a mulher, Cilia Flores, que se declararam inocentes perante a justiça norte-americana, em Nova Iorque, encontram-se detidos nos Estados Unidos.
Na sequência da captura de Maduro, a antiga vice-presidente Delcy Rodriguez foi nomeada Presidente interina.
No sábado, Trump decretou "emergência nacional" para proteger as receitas das vendas de petróleo da Venezuela nas contas do Tesouro norte-americano, impedindo que os credores da dívida externa venezuelana reclamem os fundos.
A ordem "bloqueia qualquer embargo, julgamento, decreto, direito de retenção, execução ou qualquer outro processo judicial contra" fundos que estejam em contas do governo dos Estados Unidos derivados das vendas de petróleo venezuelano e "proíbe transferências ou negociações" desses recursos.
A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo bruto do mundo, com mais de 300 mil milhões de barris, de acordo com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), à frente da Arábia Saudita (267 mil milhões) e do Irão.
Minnesota e Illinois processam Governo Trump para impedir ICE
Os estados do Minnesota e Illinois processaram o Governo federal para impedir um aumento das operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), após a morte de uma mulher por um agente em Minneapolis.
O Estado do Minnesota e as Twin Cities de Minneapolis e St. Paul apresentaram hoje uma ação judicial num tribunal federal, juntamente com um pedido de injunção para suspender a ação ou limitar a operação, noticiou a agência Associated Press (AP).
O Departamento de Segurança Interna adiantou que vai enviar mais de 2.000 agentes de imigração para o Minnesota e que já realizou mais de 2.000 detenções na cidade desde o início da operação, no mês passado.
O ICE classificou a operação no Minnesota como a maior já realizada.
A ação judicial alega que a operação viola a lei federal por ser arbitrária e caprichosa, uma vez que outros estados não estão a enfrentar medidas semelhantes.
E embora a administração Trump afirme que o objetivo é combater a fraude, a ação alega que os agentes do ICE não têm experiência no combate à fraude em programas governamentais.
No Illinois, mais de 4.300 pessoas foram detidas na "Operação Midway Blitz" no ano passado. Patrulhas de agentes mascarados e armados atingiram bairros de Chicago e muitos subúrbios.
Entre outras coisas, o processo judicial apresentado hoje num tribunal federal alega que a repressão teve um efeito intimidatório, fazendo com que os residentes tivessem medo de sair de casa ou de utilizar os serviços públicos.
"Assistimos horrorizados à agressão e ao terror de agentes federais sem qualquer controlo nas nossas comunidades e bairros em Illinois, minando os direitos constitucionais e ameaçando a segurança pública", frisou o governador de Illinois, JB Pritzker, em comunicado.
Um homem foi morto na repressão no Estado do Illinois, enquanto a norte-americana Renee Nicole Good foi morta em Minneapolis na quarta-feira por um agente do ICE, durante uma operação de imigração integrada na campanha do Governo do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, naquela cidade.
A morte provocou forte comoção em Minneapolis, que foi palco de protestos de grande escala em 2020 após a morte de George Floyd durante uma intervenção policial, levando milhares de pessoas a concentrarem-se no local onde Good foi abatida, para prestar homenagem, e centenas a participarem em manifestações que se seguiram.
Desde o tiroteio de quarta-feira em Minneapolis, milhares de pessoas têm-se manifestado em várias cidades do país, na sua maioria de forma pacífica, exigindo uma investigação completa sobre as circunstâncias do tiroteio fatal.
Apesar de vários políticos democratas, principalmente o governador do Minnesota, Tim Walz, e o presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, contestem esta explicação oficial do Governo Trump, com base em imagens de vídeo, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, tem reiterado a versão oficial dos acontecimentos como legítima defesa, referindo-se ao sucedido como um ato de "terrorismo doméstico".
O essencial sobre o interesse dos EUA pela Gronelândia (em 4 pontos)
Território autónomo da Dinamarca, a Gronelândia é a maior ilha do mundo, com uma importância geoestratégica e riquezas naturais sob o gelo que cobre 81% da sua superfície a atrair o interesse dos Estados Unidos.
A ilha situa-se no Ártico e tem uma área superior à França, Grã-Bretanha, Espanha, Itália e Alemanha juntas, segundo o jornal norte-americano The New York Times (NYT).
O presidente Donald Trump definiu a Gronelândia como um objetivo estratégico para os Estados Unidos e assegurou que a ilha será tomada, a bem ou a mal.
"Se Trump conseguisse conquistá-la, seria a maior aquisição territorial da história dos Estados Unidos --- incluindo o Alasca e a Califórnia", assinalou hoje o NYT.
Eis as principais razões do interesse dos Estados Unidos pela Gronelândia, num trabalho da agência de notícias France-Presse (AFP):
Setor mineiro pouco explorado
Desde 2009, cabe aos gronelandeses decidir sobre o uso das matérias-primas da ilha.
O governo local, que tem na pesca a principal fonte de rendimento, destaca as riquezas do subsolo, embora apenas duas minas estejam em atividade e a produção seja limitada.
Num momento de crescente procura por metais e minerais, a corrida a recursos inexplorados acelera e a Gronelândia poderá afirmar-se como um 'eldorado', apesar do ambiente polar inóspito e das infraestruturas precárias.
O acesso a estes recursos é considerado crucial pelos norte-americanos, que assinaram em 2019 um memorando de cooperação no setor.
A União Europeia (UE) seguiu o exemplo quatro anos depois.
Bruxelas identificou na ilha 25 dos 34 minerais da sua lista oficial de matérias-primas essenciais, incluindo terras raras.
A Amaroq, que explora a mina de ouro do território, pretende desenvolver a extração de terras raras, zinco, chumbo e prata, além de elementos críticos como germânio e gálio, podendo a produção arrancar em 2027 ou 2028.
Economicamente, a Gronelândia depende de uma subvenção de Copenhaga que representa um quinto do Produto Interno Bruto (PIB) da ilha.
Proximidade a Nova Iorque
Embora a justiça, a política monetária, externa e de defesa dependam de Copenhaga, a capital gronelandesa, Nuuk, está mais próxima de Nova Iorque do que da Dinamarca.
Washington mantém uma base militar ativa no nordeste da ilha, em Pituffik, um elo essencial do escudo antimíssil norte-americano.
Durante a Segunda Guerra Mundial, "quando a Dinamarca estava ocupada pela Alemanha, os Estados Unidos apoderaram-se da Gronelândia e, de certa forma, nunca a deixaram", disse a historiadora Astrid Andersen à AFP.
Para colmatar a falta de vigilância aérea e submarina a leste, a Dinamarca está a investir em patrulhas árticas, drones e radares costeiros.
Localização estratégica
Situada entre o Atlântico Norte e o Ártico, próxima dos Estados Unidos, do Canadá e da Rússia, a Gronelândia ocupa uma posição geográfica estratégica.
Trump acusa Copenhaga de não garantir a segurança do território face à Rússia e à China.
A Dinamarca rejeita as críticas e recorda o investimento de cerca de 12 mil milhões de euros para reforçar a presença militar no Ártico.
Horas antes de um encontro crucial em Washington com os responsáveis norte-americanos, o ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, prometeu hoje "reforçar a presença militar" na ilha e intensificar o diálogo com a NATO.
População e forma de governo
A Gronelândia tem cerca de 56.600 habitantes, dos quais mais de 19.000 em Nuuk, segundo dados do Conselho Nórdico, de que faz parte.
A ilha integra a NATO desde 1949, como parte da Dinamarca, mas saiu da UE em 1985.
Mantém um acordo de pescas especial e é reconhecida como um dos territórios com associação especial à UE.
O rei Frederico X da Dinamarca é o chefe de Estado da Gronelândia, que tem um estatuto de autonomia, com um parlamento (Inatsisartut, 31 deputados) e um governo próprio, liderado pelo primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen desde abril de 2025.
O dia mais longo do ano, 21 de junho, é o dia nacional da Gronelândia.