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Roer as unhas é visto como um mau hábito que não se pode controlar. Contudo, segundo o novo livro de psicologia 'Controlled Explosions in Mental Health', roer as unhas é, na verdade, uma estratégia de sobrevivência.
A autora do livro, a psicóloga Charlie Heriot-Maitland, revela como é que o cérebro prioriza a previsibilidade e a segurança em detrimento do conforto e da felicidade.
"O nosso cérebro é uma máquina de sobrevivência", revelou à Fox News Digital. "Ele é programado não para otimizar a nossa felicidade e bem-estar, mas para nos manter vivos", afirma.
Durante um momento da história da humanidade, ser apanhado de surpresa podia ser fatal, motivo pelo qual o "cérebro prefere a dor previsível em vez da ameaça imprevisível".
Ou seja, este é um órgão que não gosta nada de surpresas. Assim, num cenário de incerteza, o cérebro pode optar por comportamentos menos arriscados - e mesmo de autossabotagem - em vez de arriscar em coisas mais imprevisíveis, mas mais recompensadoras.
O livro argumenta que "o cérebro usa esses pequenos danos como uma dose protetora para evitar danos maiores". A procrastinação, por exemplo, pode gerar stress e frustração, mas também pode adiar a exposição ao medo, que tem consequências mais graves, do fracasso ou do julgamento.
"O argumento principal é que os comportamentos que rotulamos como 'autossabotagem' podem, na verdade, ser tentativas do cérebro de controlar o desconforto", disse Thea Gallagher, psicóloga e diretora de programas de bem-estar da NYU Langone Health, à Fox News Digital.
Ora, no mundo moderna, as ameaças são mais emocionais do que físicas. Assim a rejeição, vergonha e ansiedade podem ativar os mesmos sistemas de sobrevivência que uma ameaça física, dizem os especialistas.
Desta forma, a autocrítica e ações como roer as unhas servem como tentativas de lidar com os possíveis perigos.
Dicas para lidar com hábitos prejudiciais
Tendo em conta as conclusões apresentadas pelo livro, a psicóloga Thea Gallagher deu dicas práticas que ajudam a lidar com hábitos prejudiciais, como é o caso da procrastinação ou roer as unhas.
1. Passe do autojulgamento para a autocompaixão
Em vez de se perguntar: 'porque é que sou assim?' procure concentrar-se na função do comportamento. Por exemplo, esse hábito serve para se acalmar, anestesiar ou distrair do medo?
2. Observe os padrões sem lutar contra eles (pelo menos inicialmente)
"Observar o comportamento com curiosidade ajuda a enfraquecer a resposta automática à ameaça", realçou a psicóloga.
3. Construa um sentimento de segurança
Isto pode significar recorrer a técnicas de ancoragem , relacionamentos de apoio, rotinas previsíveis e práticas para se acalmar.
4. Exponha-se aos poucos ao risco e a situações das quais tem medo
"Se o cérebro teme a incerteza, introduzir gradualmente uma incerteza controlada pode ajudar a reeducá-lo", recomendou a especialista.
IN:NM
